
Enquanto várias bolsas globais registram ganhos expressivos nos primeiros meses de 2025, os mercados dos Estados Unidos e da Argentina se destacam como os maiores perdedores.
Dados recentes apontam quedas significativas, com o S&P Merval despencando 14,74% e os índices americanos Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones também em declínio, refletindo incertezas sobre políticas fiscais, monetárias e tarifárias.
Contexto global
Enquanto muitas bolsas globais apresentam fortes altas nos primeiros meses de 2025, os mercados dos Estados Unidos e da Argentina se destacam pelas maiores quedas do período.
Esse contraste evidencia um cenário de incertezas políticas e econômicas que afeta de forma diferenciada as diversas regiões do mundo.
Desempenho dos principais índices
O levantamento da Elos Ayta Consultoria, liderado por Einar Rivero, mostra que o S&P Merval, principal índice da bolsa argentina, sofreu um recuo de 14,74% do início do ano até a última quinta-feira (13) – considerando a rentabilidade já dolarizada, para facilitar a comparação.
Nos EUA, os três principais índices apresentaram quedas expressivas:
- Nasdaq: caiu 10,40%
- S&P 500: recuou 6,12%
- Dow Jones: teve baixa de 4,07%
Em contrapartida, o Euro Stoxx 50 liderou as altas globais, registrando um avanço de 31,36%. Outros mercados emergentes e europeus, como os índices da Colômbia, China, Chile e Brasil (com o Ibovespa avançando 11,26%), mostraram performances positivas, refletindo um ambiente global diversificado.
Causas dos movimentos
Segundo Einar Rivero, a queda das bolsas nos EUA deve-se a incertezas em relação à condução da política fiscal e monetária, bem como a pressões inflacionárias persistentes.
O aumento do consumo impulsionado por um mercado de trabalho resiliente tem alimentado a inflação, enquanto a política tarifária agressiva de Trump eleva os preços ao consumidor e aumenta o risco de desaceleração do consumo, com potencial para levar a uma recessão.
Na Argentina, a queda no índice reflete uma política econômica agressiva adotada pelo presidente Javier Milei, que busca controlar a inflação e reequilibrar as contas públicas.
Porém isso tem gerado instabilidade e preocupações quanto ao futuro econômico do país.
Além disso, se a inflação disparar nos EUA, o Federal Reserve poderá demorar mais para reduzir as taxas de juros ou até mesmo elevá-las novamente, encarecendo o crédito e diminuindo o consumo, o que agravaria ainda mais a situação.
Conclusão
As quedas acentuadas nos mercados dos EUA e da Argentina, que já acumularam perdas superiores a US$ 4 trilhões em valor de mercado nos EUA desde a posse de Trump, evidenciam um ambiente de grande incerteza.
Enquanto índices europeus e de outros mercados emergentes apresentam ganhos robustos, o desempenho do Ibovespa, com um avanço de 11,26%, destaca o Brasil como uma exceção no cenário global.
Contudo, os desafios impostos pelo protecionismo tarifário, pressões inflacionárias e políticas econômicas agressivas indicam um ambiente desafiador para os investidores, que precisam estar atentos às possíveis desacelerações econômicas no horizonte.