
A decisão do governo Lula de adotar medidas para reduzir os preços dos alimentos, incluindo o corte de impostos para diversos produtos, tem gerado debates.
Especialistas apontam que a redução de alíquotas pode limitar o aumento de preços, mas dificilmente trará uma queda expressiva na inflação dos alimentos.
O que aconteceu
Na última noite, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou seis medidas com o objetivo de reduzir os preços dos alimentos.
Dez produtos – como café, carne, açúcar, milho, óleo de girassol, azeite de oliva, sardinha, biscoitos e massas alimentícias – terão alíquota de importação zerada por tempo indeterminado.
Além disso, o governo aumentou o número de municípios com Sisbi, priorizou o financiamento via Plano Safra para alimentos, negociou a isenção do ICMS para a cesta básica e reforçou os estoques da Conab para conter a alta dos preços.
As novas medidas, sem prazo determinado, devem entrar em vigor em alguns dias, enquanto os incentivos do Plano Safra só terão validade a partir de junho.
Críticas e desafios das medidas
Embora a redução de impostos possa aumentar a concorrência ao facilitar a entrada de produtos importados, economistas como André Braz, do Ibre/FGV, argumentam que essa estratégia apenas desacelera o ritmo de alta dos preços, sem eliminá-lo.
Juliana Inhasz, do Insper, alerta que a redução de alíquota pode desestimular a produção no futuro ou até levar a uma descontinuidade em casos extremos.
Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, ressalta que ainda falta clareza sobre o impacto real da renúncia fiscal no mercado, uma vez que o governo ainda não apresentou uma análise detalhada sobre o assunto.
Além disso, o patamar elevado do dólar, que encarece produtos importados, também contribui para manter os preços altos, indicando que a valorização do real pode ter um efeito mais abrangente na redução da inflação.
Conclusão
Em síntese, embora o governo esteja implementando medidas para tentar reduzir os preços dos alimentos, a simples redução de impostos dificilmente será suficiente para resolver o problema da inflação no setor.
Especialistas defendem que, para alcançar um impacto real, será necessário apoiar os produtores, valorizar o real e aumentar a capacidade de processamento de alimentos.
O sucesso dessas medidas dependerá de uma estratégia integrada que vá além do corte de alíquotas e aborde as complexidades do mercado alimentar brasileiro.