
Apesar do crescimento de 3,4% do PIB em 2024, as expectativas para 2025 apontam uma desaceleração, com projeções em torno de 2%.
Especialistas identificam três grandes ameaças que podem comprometer o desempenho econômico do país: os gastos do governo, as altas taxas de juros e as novas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Gastos do governo
Nos últimos anos, estímulos fiscais ajudaram a impulsionar a economia brasileira, promovendo consumo e gerando emprego.
Programas como o de facilitação de crédito para empreendedores e o “Pé-de-Meia” contribuíram para esse cenário.
No entanto, com o crescente déficit e a alta dívida pública, o governo tem reduzido os estímulos fiscais.
Recentemente, o ministro da Fazenda anunciou um pacote de corte de gastos, visando economizar R$ 327 bilhões em cinco anos para equilibrar as contas públicas.
Essa retração no apoio fiscal, combinada com o esforço do Banco Central para controlar a inflação, pode fazer com que a economia se ajuste ao seu “potencial natural”, desacelerando o crescimento.
Taxas de juros elevadas e em tendência de alta
A combinação de um mercado de trabalho aquecido e os estímulos fiscais anteriores gerou preocupações com a inflação, especialmente no setor de serviços, que depende fortemente de mão-de-obra.
Esse setor já registra uma inflação anual de 5,9%, superior à inflação oficial de 4,56%.
Para conter a pressão inflacionária, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou um ciclo de altas, elevando a taxa básica de juros para 13,25% ao ano, com projeções de que a Selic possa chegar a 15% em 2025.
Juros elevados tendem a encarecer o crédito, reduzindo o consumo das famílias e, consequentemente, freando o crescimento econômico.
Novas tarifas de Trump
No cenário internacional, a política protecionista de Donald Trump representa outra ameaça.
Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem priorizado a produção interna dos EUA e imposto tarifas sobre parceiros comerciais, como México, Canadá e China.
Essas medidas podem desacelerar a economia americana, pressionar o dólar e aumentar os custos de importação para o Brasil.
Com o dólar elevado, os insumos importados se tornam mais caros, o que eleva os preços no mercado interno e contribui para a inflação.
Caso essas tarifas se expandam para outras regiões, como a União Europeia, o efeito inflacionário pode se intensificar, afetando ainda mais a economia e o PIB brasileiro.
Conclusão
As projeções para 2025, que apontam um crescimento do PIB de apenas 2%, refletem os desafios impostos pelos altos gastos do governo, taxas de juros elevadas e as medidas protecionistas dos EUA.
Para reverter esse quadro e alcançar um crescimento sustentável, é fundamental que o país implemente reformas que aumentem a capacidade produtiva, reduzam os déficits fiscais e promovam um ambiente econômico mais estável.