Recessão nos EUA leva investidores ao pânico

Recessão EUA
Imagem: Neo Feed

Em um espaço de tempo extremamente curto, os investidores passaram da euforia ao pânico com a economia dos EUA, temendo a possibilidade concreta de uma recessão. 

A mudança abrupta de humor se deve a dois fatores principais que desafiam as expectativas do mercado.

Quebra de expectativas nas políticas de Trump

A primeira causa é a agressividade inesperada na política tarifária de Donald Trump. 

Enquanto o mercado imaginava duas abordagens distintas – os “radicais”, que veem tarifas como um fim em si, e os pragmáticos, que as utilizam como parte de negociações – os radicais ganharam força, causando um choque nas expectativas. 

Além disso, a política de corte de gastos e as demissões no setor público, patrocinadas pelo DOGE de Elon Musk, também surpreenderam, pois impactam negativamente a demanda agregada.

Divergência entre “hard data” e “soft data”

Os dados concretos de atividade, mesmo que defasados, não indicam uma recessão, mas os índices de confiança – considerados “soft data” – já se encontram em território recessivo. 

Essa divergência gera dúvidas sobre se as correções de preços, que apagaram ganhos históricos, estão sinalizando um risco real ou apenas ajustando uma valorização extrema.

Contexto econômico e política monetária

Os EUA são uma economia majoritariamente baseada em serviços (77%), com apenas 20% vindo do setor industrial. 

As exportações e importações representam cerca de 25% do PIB. O índice ISM de serviços, por exemplo, foi de 53,5, indicando estabilidade. 

Além disso, os mercados fora das bolsas mostram condições financeiras mais expansivas, com queda no dólar e taxas de juros mais baixas. 

O Treasury de 10 anos, que chegou a 4,8% no início do ano, agora está em torno de 4,25%, e o índice DXY caiu 7% desde o início do ano. 

Diferente do período pós-2008, o Fed tem espaço para reduzir o fed funds, atualmente em 4,5%, se os dados concretos indicarem risco de recessão.

Perspectivas e fatores mitigantes

Apesar do pessimismo exacerbado, há fatores que podem mitigar os riscos. 

Por um lado, o crescimento chinês e europeu, impulsionado por gastos fiscais elevados, pode compensar uma possível desaceleração americana. 

Além disso, vivemos um momento tecnológico revolucionário, especialmente com os avanços na inteligência artificial, que prometem manter níveis elevados de investimentos e produtividade, mesmo em um cenário de crescimento baixo.

Conclusão

Embora seja provável que enfrentemos um período de crescimento reduzido, os temores de uma recessão iminente na economia americana parecem, por ora, exagerados. 

As políticas agressivas de Trump, tanto nas tarifas quanto nos cortes de gastos, criaram um ambiente de incerteza, mas os fatores mitigantes, sugerem que a economia dos EUA pode enfrentar esse período com resiliência. 

Em resumo, o cenário é desafiador, mas não necessariamente sinônimo de uma recessão profunda.

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