Roupas na Argentina custam até 78% mais que no Brasil, aponta levantamento

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Imagem: InfoMoney

O cenário econômico da América do Sul tem gerado um impacto direto no preço de produtos de consumo, especialmente roupas e calçados, com a Argentina se destacando como o país mais caro da região nesse quesito. 

Segundo uma pesquisa da consultoria Focus Market, divulgada esta semana, os argentinos pagam até seis vezes mais do que os brasileiros por itens como jeans, camisetas, tênis, perfumes e bolsas femininas.

Custo de vestuário no Brasil x Argentina

A comparação entre os preços de vestuário no Brasil e na Argentina revela uma disparidade impressionante: renovar um guarda-roupa completo no Brasil custa, em média, 78% menos do que na Argentina. 

Para os mesmos itens, enquanto os brasileiros gastam cerca de US$ 591, os argentinos precisam desembolsar US$ 1.054

A pesquisa destaca que, em todas as peças avaliadas, a diferença de preços é de pelo menos 50%, com exceção dos tênis, cuja diferença é de 27%.

Esse cenário se mantém em um contexto onde o Brasil passou por uma desvalorização de 20% em sua moeda, enquanto a Argentina enfrenta uma longa crise econômica com uma inflação crescente e desafios fiscais.

Comparações com outros países da região

A situação na Argentina se torna ainda mais desvantajosa quando comparada a outros países vizinhos, como o Chile e o Paraguai. 

No Chile, por exemplo, é possível renovar o guarda-roupa por US$ 595, bem abaixo dos US$ 1.054 gastos na Argentina. 

Para exemplificar, com o mesmo valor, os consumidores argentinos podem comprar quase três perfumes no Chile, enquanto na Argentina só é possível comprar um.

Além disso, a carga tributária no Chile é mais baixa do que na Argentina, o que facilita a oferta de preços mais competitivos. 

O Chile adota uma tarifa média de 6% para a maioria dos produtos importados, o que contribui para preços mais baixos no setor de vestuário.

O Paraguai e o Uruguai: preços mais competitivos

O Paraguai, que tem uma carga tributária em torno de 12% a 13% do PIB, se apresenta como uma opção ainda mais vantajosa para os argentinos.

De acordo com o levantamento, no Paraguai, os preços de tênis e roupas são quase duas vezes mais baratos do que na Argentina

Por exemplo, com o valor de um par de tênis na Argentina, é possível comprar dois no Paraguai.

No Uruguai, embora os preços sejam mais altos do que no Paraguai, a diferença em relação à Argentina é significativa: jeans e bermudas custam 86% e 73% a mais na Argentina, respectivamente, e sandálias são 68% mais caras.

Impactos das políticas fiscais e econômicas

Damián Di Pace, diretor da Focus Market Consultancy, comenta que a análise mostra que a disparidade de preços em roupas não é apenas uma oportunidade para os consumidores argentinos, mas também uma estratégia econômica vantajosa em tempos de crise. 

Ele destaca que a desvalorização cambial e a dinâmica econômica regional favorecem os países vizinhos como destinos para compras de vestuário, afetando diretamente a competitividade do setor têxtil na Argentina.

Essa crescente diferença de preços ficou ainda mais evidente após o anúncio da inflação no país e a proposta do governo argentino de reduzir as tarifas de importação.

Essa medida gerou uma grande resistência do setor têxtil local. 

O ministro da Economia, Luis Caputo, defendeu a redução de tarifas como forma de aliviar a inflação, mas o setor têxtil alertou para o impacto negativo que essa ação poderia ter sobre o emprego e a produção nacional.

Reformas tributárias e o futuro da economia argentina

A situação da economia argentina também está sendo moldada por uma proposta de reforma tributária que visa reduzir os impostos sobre a produção e promover um superávit fiscal. 

A ideia do governo é eliminar gradualmente 90% dos impostos distorcivos da atual estrutura tributária, o que poderia, no longo prazo, melhorar a competitividade do país.

Conclusão

Em resumo, o aumento dos preços do vestuário na Argentina e as diferenças com outros países da região demonstram um cenário difícil para os consumidores locais, que buscam alternativas mais acessíveis em países vizinhos. 

A pressão sobre o setor têxtil e as medidas fiscais do governo sinalizam que, para muitos, a solução pode estar no comércio internacional, especialmente em mercados como o Brasil, Paraguai e Chile.

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