
A ameaça de tarifas elevadas feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pode ter um impacto devastador para os fabricantes de bebidas alcoólicas da Europa, especialmente para o uísque irlandês e as marcas de vodca escandinavas.
A organização, SpiritsEurope, representando produtores de várias bebidas, está se mobilizando para evitar que o setor seja arrastado para a guerra comercial que envolve os Estados Unidos e a União Europeia.
Possível “golpe mortal” para o setor
“Estamos realmente falando de um golpe mortal”, afirmou Pauline Bastidon, diretora de comércio e assuntos econômicos da SpiritsEurope.
Ela destacou que os EUA são o maior mercado para bebidas alcoólicas europeias fora da União Europeia, o que torna a ameaça tarifária ainda mais prejudicial.
O grupo de lobby representa uma diversidade de fabricantes, incluindo produtores de licores italianos, gin, conhaque e vodca da Suécia, Finlândia e Polônia, todos os quais seriam fortemente afetados pelas novas tarifas.
Contexto das disputas comerciais
As bebidas alcoólicas tornaram-se um ponto central nas disputas comerciais entre os EUA e a UE.
O governo Trump impôs tarifas sobre as importações de aço e alumínio, e em resposta, a União Europeia anunciou tarifas retaliatórias, incluindo um imposto de 50% sobre o uísque americano, com início marcado para 1º de abril.
Em retaliação, Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e destilados europeus, uma medida que poderia afetar diretamente os produtores de uísque, gin e vodca da Europa.
Tentativas de negociação e adiamento de tarifas
O chefe de Comércio da UE, Maros Sefcovic, declarou que o bloco europeu está tentando negociar com os EUA e que está disposto a adiar a sua medida tarifária até meados de abril.
O objetivo é ganhar mais tempo para as negociações com os Estados Unidos e calibrar a resposta em conjunto com os Estados-membros.
No entanto, Sefcovic indicou que o governo Trump não parece disposto a discutir antes da implementação das tarifas recíprocas, previstas para 2 de abril.
Desafios adicionais para o setor
A guerra comercial representa mais uma pressão sobre um setor já prejudicado por vários fatores, como a queda no consumo de álcool entre os jovens e os impactos das disputas comerciais anteriores.
Bastidon destacou que o setor de bebidas alcoólicas já sofreu perdas substanciais nos últimos anos devido a essas disputas.
Ela também questionou a conexão entre o setor de bebidas alcoólicas e os produtos de aço e alumínio, citando a falta de justificativa clara para que o setor seja afetado por essas tarifas.
“Realmente não vemos nenhuma conexão entre o nosso setor e o aço e o alumínio”, concluiu Bastidon, fazendo referência à origem dessas disputas comerciais.
Conclusão
O setor de bebidas alcoólicas europeu enfrenta um cenário complicado devido às ameaças tarifárias impostas pelos EUA.
A possibilidade de tarifas de até 200% sobre produtos como vinhos e destilados pode prejudicar profundamente a indústria, que já lida com um ambiente desafiador.
Enquanto as negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos continuam, a pressão sobre o mercado europeu só tende a aumentar, e o resultado dessas disputas comerciais será crucial para o futuro das exportações de bebidas alcoólicas da região.