Em meio a desafios econômicos e ajustes tributários, os MEIs enfrentam um novo aumento no DAS, elevando um custo fixo vital.
Especialistas alertam que, sem um correspondente aumento no faturamento, os riscos financeiros podem se intensificar em 2025.
Novos Valores
A partir deste mês, os microempreendedores individuais (MEIs) passam a pagar o novo valor do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS-MEI), que varia de R$ 75,90 a R$ 81,90.
Essa mudança ocorreu devido ao reajuste do salário mínimo – que subiu de R$ 1.412 para R$ 1.518 –, uma atualização que impacta diretamente a contribuição, que equivale a 5% desse valor.
No ano passado, o valor da DAS-MEI variava entre R$ 71,60 e R$ 76,60, dependendo da atividade exercida.
Impacto no Orçamento
“Esse reajuste ocorre todo ano e o MEI precisa entender o seu faturamento para não sofrer com a alta da alíquota. Apesar de o aumento não ter sido tão considerável, o MEI trabalha com valores menores e precisa ficar muito atento para realizar o pagamento no prazo.” , disse Andreia Jesus, conselheira do CRCSP.
Essa observação ressalta que, embora o reajuste pareça modesto, o impacto é significativo para quem lida diariamente com margens de lucro apertadas.
Gasto Fixo e Riscos à Lucratividade
Para o professor Rogério Alexandre Gonçalves, da FIA Business School, o DAS-MEI é um gasto fixo que não varia com o nível de atividade da empresa.
“Portanto, este tipo de aumento tem que ser compensado com um aumento na receita — ou o MEI passa a perder lucratividade”, alertou.
Essa situação é especialmente preocupante para empreendedores que atuam de forma esporádica ou que utilizam o MEI como complemento de renda, pois mantêm um custo fixo mensal mesmo quando a atividade não é contínua.
Cenário Econômico e Desafios para 2025
Os especialistas apontam que 2025 pode ser um ano repleto de incertezas, marcado por reformas tributárias e pacotes econômicos que podem complicar ainda mais o ambiente para os microempreendedores.
Com a inflação oficial em 2024 atingindo 4,83% – acima da meta governamental – os custos de insumos e a taxa básica de juros são diretamente afetados, aumentando a pressão sobre o faturamento do microempreendedor individual.
“O empreendedor precisa ficar atento ao que está acontecendo ao seu redor e manter a sua operação no mínimo necessário para não comprometer o recolhimento de impostos”, enfatiza Andreia Jesus.
Dificuldade de Repasse e a Necessidade de Estratégia
Gonçalves também destaca a dificuldade que alguns MEIs terão em repassar esse aumento aos clientes.
“No caso de um aumento de matéria-prima, por exemplo, quando uma manicure aumenta o valor do serviço por conta do aumento nos insumos como esmalte e acetona, é mais fácil de justificar em relação a um aumento no valor do DAS”, explica o professor.
Essa limitação pode forçar os empreendedores a repensar suas estratégias de precificação para manter a sustentabilidade do negócio.