
Com a recente elevação da taxa Selic para 14,25%, o cenário para os investimentos se torna mais atraente, especialmente na renda fixa, ações e fundos imobiliários.
Embora essa decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) tenha sido amplamente esperada, ela traz implicações significativas para os investidores brasileiros.
Renda fixa: aproveitando as taxas elevadas
A primeira recomendação para os investidores conservadores é aproveitar as oportunidades na renda fixa, com destaque para os títulos públicos.
O Tesouro Selic agora paga 14,25%, além de uma pequena taxa prefixada de até 0,1%, o que o torna uma excelente opção para quem busca um retorno atrativo e seguro.
Especialistas como Julio Ortiz, CEO da CX3 Investimentos, ressaltam que esse cenário é raro e que os investidores podem aproveitar as altas taxas de juros.
A XP reforça sua visão positiva para os títulos pós-fixados e, principalmente, para os títulos atrelados à inflação como o Tesouro IPCA+, que podem trazer retornos elevados no curto e longo prazo.
Rafael Winalda, do banco Inter, sugere que o Tesouro IPCA+ 2045 pode ser uma das grandes chances de investimento do ano, considerando as taxas atrativas para o longo prazo.
Diversificar entre títulos pós-fixados para o curto prazo e híbridos para o longo prazo é visto como uma estratégia vencedora.
Ações: descontos e oportunidades de crescimento
Apesar da Selic mais alta, o mercado de ações continua oferecendo boas oportunidades, especialmente a longo prazo.
O Ibovespa já apresentou uma alta superior a 10% no ano, e o fluxo de investimentos de estrangeiros está voltando para o Brasil.
Beto Saadia, da Nomos, destaca que, apesar das taxas elevadas, empresas sólidas estão sendo negociadas a múltiplos atraentes.
Isso favorece o movimento técnico de recomposição de posições. Empresas como Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3), que se beneficiam de uma recuperação econômica gradual, são vistas como boas opções para os próximos meses.
Já Suzano (SUZB3), JBS (JBSS3) e Sabesp (SBSP3) são apontadas por Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, como boas oportunidades devido a fundamentos sólidos e perspectivas de crescimento.
Fundos imobiliários: desafios e estratégias
A alta da Selic pode impactar negativamente os fundos imobiliários (FIIs), especialmente os de tijolo, por conta da desaceleração econômica e do encarecimento das dívidas.
No entanto, os fundos de papel, que têm suas rentabilidades atreladas à inflação e à Selic, devem se beneficiar mais deste cenário.
Vanessa Morauer Voigt, analista da Aware Investments, destaca que, apesar do impacto nos FIIs de tijolo, os fundos de papel com boa correção podem gerar bons retornos.
A recomendação é escolher fundos com boa diversificação e baixa concentração em uma única fonte de receita.
Estratégias de crédito privado
O gestor de crédito privado, Marcelo Peixoto, sugere que, devido à alta da Selic, os investimentos em dívidas corporativas de empresas com alta nota de crédito podem ser vantajosos, já que a dispersão de riscos oferece boas oportunidades de retorno.
No entanto, títulos emitidos por empresas mais alavancadas devem ser evitados.
Investindo no exterior: diversificação global
Embora a Selic esteja alta no Brasil, a diversificação internacional continua sendo essencial.
Otávio Barros, da Fami Capital, lembra que, ao concentrar o capital apenas no Brasil e no real, o investidor pode estar correndo riscos de longo prazo. Investimentos no exterior, tanto em renda fixa quanto ações, podem proporcionar mais segurança e previsibilidade.
Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, recomenda que os investidores considerem ações de tecnologia, biotecnologia e energia renovável nos EUA.
Também destaca que os Treasuries de médio prazo devem se valorizar com a expectativa de cortes de juros nos EUA.
Conclusão
A elevação da Selic a 14,25% traz tanto oportunidades quanto desafios para os investidores.
Em um ambiente de juros elevados, as opções de renda fixa, ações e fundos imobiliários devem ser cuidadosamente escolhidas.
Além disso, a diversificação para investimentos internacionais continua sendo uma estratégia importante para equilibrar riscos e alcançar um bom retorno financeiro.