Poupança cai pelo terceiro ano consecutivo no Brasil

Poupança
Imagem: Money Times

Em 2024, a taxa de poupança no Brasil atingiu 14,5% do PIB, marcando o terceiro ano consecutivo de declínio. 

Esse patamar é o menor desde 2019 e reflete, em grande parte, a falta de controle dos gastos do governo, que tem contribuído para uma trajetória de déficits crescentes. 

Causas e desafios

Analistas apontam que essa queda deve-se à ausência de perspectivas de ajuste nas contas públicas e de investimentos internos robustos. 

A dependência das commodities, que proporciona ganhos temporários, não permite um crescimento constante que possibilite o aumento dos investimentos domésticos. 

Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Way Investimentos, explica que, sem uma regra fiscal forte e reformas estruturantes, o Brasil continuará a importar poupança – buscando atrair investimentos internacionais para compensar os déficits fiscais.

Comportamento das famílias

Além dos desafios do setor público, as famílias brasileiras estão consumindo mais e poupando menos. 

Em um cenário de inflação elevada e amplo estímulo ao consumo, muitos brasileiros não conseguem criar reservas financeiras. 

Segundo Armando Castelar, economista do FGV/Ibre, essa escolha social contrasta fortemente com países asiáticos, onde as taxas de poupança chegam a 30% ou até 40% do PIB. 

Essa cultura de consumo elevado, aliada à facilidade de acesso ao crédito, dificulta a formação de uma poupança robusta entre os mais vulneráveis.

Impacto da pandemia

A pandemia da Covid-19 também deixou sua marca no comportamento das famílias. 

Durante o período de isolamento, houve um fenômeno global de “poupança forçada”, no qual as pessoas guardaram recursos devido à incerteza sobre o futuro e à escassez de oferta.

Embora esse comportamento tenha se intensificado a partir de 2020, o seu impacto foi temporário, e as famílias voltaram a consumir de forma intensa nos anos seguintes, contribuindo para a baixa taxa de poupança atual.

Conclusão

A baixa da taxa de poupança no Brasil reflete tanto os desafios do setor público, com gastos excessivos e falta de investimentos, quanto o comportamento consumista das famílias em um cenário de inflação e estímulos ao consumo. 

Para reverter esse quadro e aumentar a poupança doméstica, especialistas defendem a necessidade de reformas fiscais e de um maior compromisso do governo em reduzir seus déficits. 

Sem essas mudanças, o país continuará a depender da importação de poupança, o que pode limitar o crescimento sustentável e os investimentos em infraestrutura necessários para o desenvolvimento a longo prazo.

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